Arte poética urbana

apolo_torres-arte-coex-34 Seg, 10 de Março de 2014 12:58 Por:

Apolo Torres, 27 anos, artista plástico há seis anos, talentoso.

 

Há alguns meses atrás estava fuçando no Instagram (adoro acompanhar o trabalho de diversos artistas e fotógrafos por lá, mostra muitas vezes o andamento de tudo, e não apenas finalizado), quando me deparo com o lindíssimo trabalho deste artista.

Muito urbano e cheio de poesia, Apolo, além de pintar quadros, mostra sua arte em prédios da cidade, deixando a muito menos cinza e nos inquietando a mente.

Inquietou a minha, e para entender melhor sua visão para criar suas obras, decidi fazer uma pequena entrevista com ele: 

1. Suas obras claramente que tem um enfoque urbano. Em que momento o grafite, que é a arte de maior visualização nas ruas, entrou em sua vida?

O graffiti sempre fez parte da minha vida, desde pequeno gostava de desenhar e tentava copiar desenhos que via nas ruas e também ilustrações de livros e revistas, criar minhas letras de pixo, criar personagens, etc. Só comecei a fazer murais bem mais tarde, mas a estética da rua me influenciou desde o início

2. Suas intervenções urbanas, são apenas técnicas como o grafite? Se não, quais outros materiais fora o spray que costuma usar?

Costumo usar principalmente tinta látex para os murais, mas uso tinta spray em algumas ocasiões. Para telas eu uso principalmente tinta à óleo e tinta látex.

 3. Em várias obras, há uma colher presente. O que quis abordar com o uso dela?

Sempre gostei de fazer desenhos de observação e usar referências fotográficas para criar minhas obras, pois é possível observar melhor as coisas e reproduzi-las mais fielmente. Gosto de desenhar pessoas que não sabem que estão sendo retratadas, pessoas sentadas em bancos, no metrô, trem, e quase sempre escolho pessoas que estão usando smartphone pois costumam ficar mais imóveis e mais distraídas, não notam que estou desenhando-as.

Com base nessas referências e também observando o comportamento das pessoas, comecei a refletir muito sobre o uso impulsivo de smartphones e redes sociais. No fim das contas, é quase como olhar no espelho, você alimenta sua vaidade e se alimenta da vaidade alheia. O termo “news feed” é bem oportuno nesse caso, e com isso achei que a colher, que é um instrumento de alimentação, sendo usada como espelho seria uma boa metáfora para tudo isso.

4. Porque a representação do caos urbano lhe chama tanta atenção?

Para mim a arte serve para representar meus sentimentos, vivências, coisas que me sensibilizam de alguma maneira. O caos urbano sempre fez parte da minha vida, sempre vivi na grande São Paulo e esse é o assunto que me sinto mais capacitado para abordar, pois sempre vivi a experiência da cidade de maneira muito intensa.

A relação com a cidade é sempre conturbada, mas por isso mesmo ela desperta uma infinidade de sentimentos.

 

Confira seu trabalho no site: www.apolotorres.com

Ou então, no instagram :@apolotorres

 

Fotos: Divulgação

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